Indignação e resistência para combater a discriminação em Sergipe

Em setembro, o Brasil celebra ações voltadas à luta das pessoas com deficiência. Solidário com a causa destas pessoas, “Com Novo Olhar“, narra fatos que vão na contramão do que preconiza a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), demonstrando atitudes discriminatória contra cidadãos com algum tipo de deficiência.

Isto mesmo, pessoas com deficiência precisam driblar barreiras atitudinais para ter acesso ao que é garantido na LBI em vigor desde 2015, como o simples direito de participar de um desfile no sete de setembro. A negação ao direito de gratuidade de forma indiscriminada às pessoas com deficiência em espetáculos culturais acaba por restringir a muitos destes o direito ao acesso à cultura, com medidas tipo exigência por lei de realizar um cadastro prévio para comprovação de baixa renda de modo a ter acesso aos espetáculos. Não bastasse a discriminação pela deficiência, também há a discriminação pela condição social para um mero acesso a informação cultural nas casas de espetáculos.

Hoje mesmo, mais uma vez fui vítima de discriminação na minha condição de pessoa com deficiência. Pensando em ampliar meus horizontes e me capacitar para o difícil mercado de trabalho, me foi negada a realização de matrícula para um curso de oratória no SENAC, sob a legação que retornasse outro dia para falar antes com a assistente social e trouxesse comigo, atestado médico que comprovasse a minha condição de deficiência visual. Não bastava a minha bengala branca, tampouco a minha forma de chegar até aquele local. Precisaria, ainda que com toda dificuldade de me deslocar, retornar outro dia para tentar me inscrever em um curso que por sinal, já fizera antes na mesma instituição. Queria apenas me atualizar.

Senti como tendo que retornar ao tempo em que necessitávamos de apelar às poucas instituições de ensino que se dispuseram a me aceitar e lá estudei, me formei e fiz especializações. Retomando ao passado de negativas, batendo de porta em porta, o filme na minha cabeça das conquistas dos últimos anos e do preconceito do momento pra garantir minha vaga em curso profissionalizante me fez lembrar que existe uma Lei que ampara a nós, pessoas com deficiência, entretanto os caminhos que precisamos encarar pra ter acesso à educação, cultura, enfim, cidadania, ainda são tortuosos, cheios de obstáculo, cheio de preconceitos que ignoram nosso direito garantido em lei, com o que me aconteceu nesta amarga tarde em que a arrogância falou mais alto que a pratica já garantida em dispositivos legais.

A pessoa com deficiência precisa sobreviver ao preconceito, encarar a vida “Com Novo Olhar“, e não baixar a cabeça diante daqueles que os discrimina, marginaliza e tentam castrar sua cidadania em pleno século XXI, como a querer esconder o protagonismo das pessoas com deficiência no acesso ao lazer, na conquista de espaços diante a sociedade.

Façamos do mês de luta das pessoas com deficiência não somente um momento de reflexão de quanto ainda temos que desbravar caminhos na luta da cidadania plena, mas também que não devemos desistir nunca, nos impor e verdadeiramente lutar para que o desrespeito, a prepotência, a ignorância e a discriminação sejam vencidos, afinal, temos direitos e temos Lei que nos protegem e devemos cobrar a sua aplicação sempre.

 

LBI (Nº 13146 de 2015)

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