Com Novo Olhar mostra a qualidade de vida da pessoa com Down

 São cerca de 300 mil pessoas com olhos amendoados, displasia da falange do quinto dedo, face achatada, cardiopatia, deficiência intelectual, entre outras características, causados por alteração genética, mas estas características variam entre os que possuem a síndrome.  Nada impede que as pessoas com síndrome de Down estudem, trabalhem, levem uma vida comum cheia de cuidados e de amor. Hoje Dia Internacional da Síndrome de Down, o blog “Com Novo Olhar” mostra exemplo de pessoas que se desenvolveram buscando o seu espaço.

Ronaldo Marthins, 28 anos de idade, pega onda com os colegas com Down no projeto “Estrelas do Mar”, desfruta da praia aos sábados na Aruana, cartão postal de Aracaju. Ronaldo trabalha durante a semana em uma empresa de bebidas e demonstra que pode levar uma vida comum, ganhar o pão de cada dia, praticar esporte, cuidar da saúde e ser feliz.

– Ronaldo é muito dedicado na hora de pegar ondas,  no trabalho e em tudo que faz. É um pouco tímido mas se comunica normalmente, no trabalho é um dos nossos exemplos, mostrando que a pessoa com Down deve ter seu lugar na sociedade e que necessita apenas de oportunidades – explica o coordenador do projeto Bayron, em entrevista para “Novo Olhar”.

A sala de aula, também é lugar para socialização de crianças com Down. Clarinha, de sete anos é aluna da rede estadual de ensino, é alfabetizada e estimulada por Patrícia Matos Souza Nunes, educadora física que faz parte do atendimento especializado para pessoas com deficiência.

– Ela é  muito inteligente, está desenvolvendo o aprendizado das consoantes, sabe ler e escrever não vai demorar. A escola vem selecionando conteúdos para transmitir conhecimentos associativos de figuras e palavras com o livro imantado. Ela tem dificuldade na escrita e para estimular os ensinamentos levo brinquedos, a forma lúdica de ensino facilita a aprendizagem – retrata a professora.

As pessoas com Down hoje, possuem uma melhor qualidade de vida, pois estão incluídas no ensino regular, têm processo de aprendizagem por meio de estímulos precoce e de forma lúdica, melhorando a sua estima e conquistando espaços. Os cuidados com a saúde, o tratamento com fonoaudiólogos, psicólogos e a realização de exames periódicos, são fundamentais para alcançar o progresso de todos. Cada caso tem suas particularidades. No Centro Especializado Virgínia Leite,  em Aracaju, mais de três mil assistidos recebem orientações e  cuidados  necessários para o  desenvolvimento pessoal e pleno,  através do IPS Saúde

Trinta anos da Constituição e a evolução da lei na vida das pessoas com deficiência

Desde 1988 as pessoas com deficiência contam com direitos assegurados pela Constituição Federal, no que se refere ao direito à educação, ir e vir e inclusão. “Com Novo Olhar”, fez uma busca e apresenta os avanços garantidos pela Lei Brasileira de Inclusão – LBI  nº 13146 de 2015.

                De fato nos últimos 30 anos a pessoa com deficiência vem conquistando melhorias na construção coletiva de um pensamento humano, em relação aos conceitos sociais. A deficiência não está mais na pessoa que tinha que adaptar-se ao meio. Desde a convenção das Organizações Unidas (ONU), firmada através das mudanças previstas em dispositivos da LBI, condições e adaptações precisam ser feitas de acordo com a necessidade da pessoa com deficiência em todos os níveis de educação, no acesso ao mercado de trabalho, cultura, espaços públicos e serviços básicos e fundamentais, tais como saúde, previdência social e acesso à informação.

                Soluções práticas, atendendo carências de políticas públicas que chegassem até as pessoas com deficiência, a LBI é conquista de garantias para todos independente de ter deficiência visual, auditiva, intelectual, física ou altas habilidades. De condição estática ideológica “a deficiência passa a ser resultado da interação entre barreiras impostas pelo meio e as limitações de natureza física, intelectual e sensorial do indivíduo”, segundo o apresentado na LBI.

                Outra evolução que vem ganhando prática no país é a presença de mediador escolar, acessibilidade nas escolas e condições de ensino e adaptações curriculares, fator que exige a presença da pessoa com deficiência no ambiente escolar, com direito ao aprendizado e inclusão na escola, passando por atividades da vida diária, com material e acesso ao conhecimento dos assuntos em aula e dispondo de condições para ser aceito, habilitado e reabilitado dentro e fora de sala de aula, direitos garantidos por lei, evolução para o futuro de novos conceitos acerca das pessoas com deficiência e sua autonomia na sociedade.

                “Seja por lei ou no acesso aos serviços é fundamental que a sociedade entenda que somos pessoas, antes de olharem pra nossa deficiência, pois limites são coisas que existem em nossa mente e podem ser trabalhados quando acreditamos no potencial, trabalhamos as habilidades e compreendemos o próximo como a nós mesmos”.

Dia internacional da mulher Com Novo Olhar de superação

Holofotes da bravura pra celebrar o Dia Internacional da Mulher

 

Vista de longe Nyele Rocha Mendes, 21 anos demonstra as proporções que toma a rotina de uma cadeirante capaz de superar obstáculos, ter garra para garantir seu lugar ao sol e sonhar com futuro na área de Direito. Para ela que é universitária do quinto período, o Dia Internacional da Mulher é todo dia!

Cabelos escovados, rosto maquiado, as cicatrizes físicas e psicológicas de uma bala perdida deixaram Nyeletetraplégica aos onze anos de idade, em Irecê, interior baiano. O resultado foi uma lesão medular, respiração com ajuda de aparelhos, dois meses de internação em umhospital e dois anos afastada da escola. Retomou os estudos para continuar o sétimo ano e dar uma sequência ao sonho da carreira em Direito, profissão escolhida desde os tempos de menina.

“O começo não foi fácil, mas o que me ajudou muito foi estar cercada de amor dos meus pais e de uma turma escolar que me recebeu muito bem. A professora acompanhou toda minha história e o amor me transformou, não deixou que eu caísse na dor”, explica a universitária, em entrevista para “Novo Olhar”.

Desde o início da fisioterapia, logo após o acidente, não se abateu, demonstrava o gosto por maquiagem, por vestir-se bem e assim melhorar sua auto estima para poder seguir na luta pela recuperação dos movimentos.  Gostava de pintar o rosto, com acessórios de maquiagem, caprichava nos movimentos e fazia os exercícios físicos com muito empenho em busca do melhor para sua saúde. 

Sua personalidade marcante ajudava na hora de enfrentar os desafios e quebrar as barreiras impostas pela limitação física. Ela procurava participar de eventos da faculdade, shows,  cinema com amigos e esses momentos foram muito importantes para ela conseguir superar seus próprios limites e atingir seus objetivos na vida.

Experimentando sempre novas sensações, Nyele pode dizer que já pegou onda na praia de Atalaia, tradicional cartão postal da capital sergipana e tudo isso  foi possível, graças a coragem e a fé que determinou seuscaminhos. Mulher que celebra cada conquista nos estudos, e os avanços em cada movimento para escrever sua história de vida.

“Quero ser promotora ou juíza e tenho buscado isso,depois do acidente percebi que fiquei mais centrada nos estudos. A minha cadeira de rodas é motorizada e me permite ir em qualquer lugar, situação que nem sempre é acessível para outras pessoas que precisam de algum auxílio. Gosto de quebrar barreiras, driblar obstáculos e sair seja na cadeira ou em qualquer outro meio de locomoção”, retrata.

Devido a gravidade do acidente, sua recuperação foi algo que surpreendeu a classe médica, pois ela conseguiu alcançar progressos como a movimentação dos braços, fato  que foi atribuído a sua força e determinação pessoal, o que faz de Nyele uma guerreira e um exemplo, não só no Dia Internacional da Mulher, mas durante toda a sua vida. Parabéns pra você Nyele e para todas as mulheres guerreias deste país!

Cardápio Acessível

Após apresentarmos as dificuldades pelas quais passam os deficientes no uso do transporte coletivo, entrarmos um pouco na rotina ociosa do período de férias dessas pessoas e comentarmos sobre as novas regras da Lei Brasileira de Pessoas com Deficiência, vamos mostrar com “Novo Olhar” as dificuldades que eles enfrentam na hora de seguir em busca da tão sonhada acessibilidade nos bares e restaurantes.

A Lei Municipal Nº 4.634, desde julho de 2015, obriga bares e restaurantes de Aracaju a disponibilizarem pelo menos dois cardápios escritos em Braille e dois em audiodescrição para pessoas que não conseguem ler pelo sistema Braille. Lembro-me por diversas vezes das dificuldades que eu tinha para ler um cardápio. O garçom já vinha oferecendo os serviços do estabelecimento e perguntando ao meu acompanhante, como se eu não estivesse ali: “O que ele vai querer?” como se eu já conhecesse todo cardápio. No início parecia engraçado, mas constantemente é algo que inquieta a pessoa com deficiência visual.

Muitas vezes o barzinho chega a ser lugar de constrangimento para pessoas com deficiência visual, pois nem sempre conseguimos encontrar alguém que possa descrever os pratos ou disposto a ler todas as páginas do cardápio. Esta realidade precisa ser modificada e os bares e restaurantes devem buscar se adequar para oferecer um serviço acessível cumprindo o que determina a legislação.

Abrir um cardápio e ler suas páginas pode ser chato ou cansativo para quem lê, mas esse simples gesto é importante para os deficientes visuais terem acesso as suas informações. Com a criação desta lei, um simples ato passa a ser direito, o cardápio acessível. Então vamos contribuir com esta causa e mostrar que não é apenas favor, mas direito destes cidadãos.

Prova que o cardápio acessível está sendo visto “Com Novo Olhar” é o entusiasmo de Jossivaldo Silva, deficiente visual, que vê a novidade com esperança. “Demorou, mas está sendo gratificante para gente encontrar cardápio em braile. Sair da condição de dependência e conquistar autonomia nos restaurantes é abrir uma nova rota para nós que muitas vezes ficamos em casa ou somos esquecidos pela sociedade” – explicou Jossivaldo Silva de Jesus, em entrevista para “Com Novo Olhar“.

Coletivo ou da coletividade?

Nasce mais um ano e com ele chegam renovadas esperanças em nossas vidas. É assim que precisamos enxergar o nosso cotidiano, repleto de novas perspectivas, novos projetos, novas metas a serem alcançadas, um “Com Novo Olhar” para um ano que já nasce misterioso e cheio de incertezas.

Quando falo em incertezas, me refiro às turbulências pelas quais o país atravessa, seja na área politica, na área econômica, no aumento do desemprego, na diminuição das perspectivas de crescimento individual e coletivo da população, na escassez ainda maior das oportunidades de trabalho para os que possuem alguma limitação física e da certeza do aumento da inflação que corrói os nossos ganhos.

Aumenta o salário, mas com ele vem também um mar de novos reajustes em nome de uma crise que só traz dificuldades para todos. Na cascata desses reajustes, destaco o aumento das passagens dos coletivos, pois dificulta ainda mais a vida dos cidadãos que precisam sair em busca de novas oportunidades. As pessoas com deficiência têm passe livre concedido por lei que garante a gratuidade no transporte coletivo.

O aumento das tarifas dos coletivos, não contempla custos com aumento da frota com mais acessibilidade para as pessoas com deficiência. O que podemos vivenciar no dia a dia, é uma frota pouco acessível, com superlotação, dificultando o acesso das pessoas ditas normais e quase que impossibilitando o uso pelos que possuem alguma deficiência.

Precisamos lançar um “Com Novo Olhar” para transformar o transporte coletivo em algo que seja acessível e confortável para a coletividade. Mas para tal, sua colaboração com essas pessoas pode fazer toda diferença no cotidiano, seja dentro ou fora dos ônibus.