Bem-vindo 2019!

No ar Com Novo Olhar, mas antes convido você para apresentar este novo espaço jornalístico e embarcar em uma viagem do mundo real, de diferentes formas de viver a vida, bem-vindo ao “Com Novo Olhar“!

todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou(…) tenho todo tempo do mundo(…)“.

Deficiente visual desde o nascimento, quando oftalmologistas diagnosticaram visão subnormal ou baixa visão, acometido por catarata (2012), ficando com maior perda da visão que já era pouca. Renascendo deste episodio que me proporcionou ver o mundo ainda mais ofuscado, senti a necessidade de encontrar uma luz que me proporcionasse vislumbrar novos horizontes na jornada da minha vida. O incrível é que, o que parecia mais escuro, me proporcionou ver o mundo de outra forma, com novas perspectivas, o que chamo de  “Com Novo Olhar“, nova maneira de seguir em busca da própria sobrevivência, tentando seguir no cotidiano de cidadão simples e igual à todos, perante leis, direitos e deveres. Quando me reportei ao trecho da música de Renato Russo no início deste relato, eu quis dizer que hoje sim, não tenho muito tempo, tenho oportunidades que me fazem perder o tempo ocioso em que estão fadados a conviver os que não a possuem, ter o direito de ser um cidadão que acorda, sai de casa e vai desempenhar um ofício qualquer que teoricamente é direito de todos garantido por lei, mas na prática, nem sempre é assim que acontece. Tempo perdido, esta sim é uma realidade mais frequente na vida dos que possuem alguma limitação, quantos são os deficientes no mundo? Quantos precisam perder o tempo sem nada pra fazer e ganhar o direito de ser útil, acordar e não ter mais nenhum tempo perdido. Quando acreditamos que sempre há um novo sentido de encarar “Com Novo olhar“, os olhares e fazer uma releitura das histórias de eficientes pessoas que buscam igualdade no exercício de sua cidadania, cumprindo seus deveres impostos pelas leis, mas que necessitam do pleno gozo dos direitos de pessoas livres com possibilidade de ir e vir. Para conhecer mais a realidade destas pessoas, peço licença a você para juntos mostrarmos “Com Novo Olhar“.

Através deste blog histórias, ações e iniciativas que podem contribuir com a vida das pessoas com deficiência. Para tal, convido você a participar ativamente de nosso conteúdo, seja colaborando com a construção de cada texto, encaminhando sua história pra nossas reuniões de pauta ou contribuindo ativamente para que estas pessoas tenham espaço na sociedade e sigam cada vez mais nos diversos setores da sociedade. Seja no andar, falar, ouvir, ver, sentir ou entender cada necessidade destas pessoas podemos contribuir para o social de cada cidadão, nas ruas, transporte público, entidades e departamentos ou no simples aproximar-se doando um pouco de seu tempo para auxiliar estas pessoas com limitações físicas, visuais, auditivas, intelectuais ou de qualquer natureza. “Ser baixa visão me permite escrever para demonstrar que não há barreiras quando se tem vontade para seguir na vida, enquanto cidadão comum e com igualdade no dia-a-dia“.

Por fim no ar “Com Novo Olhar“!

Perspectivas do mercado de trabalho para jornalista com deficiência em 2019

Quase invisíveis diante dos olhos das grandes empresas de comunicação, as pessoas com deficiência não desanimam e se lançam no mercado de trabalho usando a tecnologia e as redes sociais como ferramenta para conquistar espaços e visibilidade enquanto jornalistas com deficiência. Por outro lado, as oportunidades em concursos públicos, podem ser uma luz no mercado de trabalho em 2019.

Apesar da garantia estabelecida por lei das vagas de trabalho reservadas a estas pessoas (Lei de cotas Nº 8213/91), a realidade está cada vez mais longe do alcance dos que possuem alguma deficiência pela falta de oportunidade; assim sendo, comunicadores apostam em concurso publico para alcançar a tão sonhada estabilidade na carreira profissional.

Um exemplo de determinação e foco na atuação profissional acontece com os comunicadores da inclusão nas mídias sociais. Presidente do “Instituto Inclusão no Meio do Mundo” (AP), Kersia Celimary Silvestre Ferreira é apresentadora e entrevistadora do programa de rádio “Espaços da Inclusão”, trabalha em companhia de pessoas com deficiência visual e prepara novidades para o ano novo. Este exemplo de empreendedorismo abre espaço para outras pessoas, além de ser referencial para os que não possuem oportunidades de trabalho.

“feita na web, jornalistas e pessoas com deficiência nos ajudam a colocar a rádio no ar. Nossa programação conta com colegas de outros estados. Felipe Diogo apresenta o programa “Espaço da Inclusão” e Zé Orlando  o “Reggae in Box” ambos colaboradores cegos de São Paulo.  O “Inclusão no Meio do Mundo”, é nosso carro chefe local apresentado aqui do Macapá. Estamos com projeto de ampliação da grade em 2019 e esperamos conseguir equipamentos para implantar a web-TV da emissora, que tem aplicativo de celular e pode ser escutada por pessoas de todas as regiões”, comenta Kersia, jornalista com deficiência visual.

Seja através do trabalho de forma independente, por meio da aprovação em concursos, ou empreendendo, os jornalistas com deficiência buscam atuar em redações, rádios, redes sociais, com intuito de sair da condição de desemprego e buscar um trabalho. A deficiência não o impede de realizar o ofício para o qual foi capacitado, mas a falta de oportunidade dificulta o acesso.

. “Trabalhei em empresa particular na década de 80, mas hoje entendo que a maneira para os alunos com deficiência ingressarem no jornalismo e emprego público é principalmente o concurso, apesar da disparidade na concorrência”, ressalta a professora Drª Joana Belarmino da (UFPB), com deficiência visual.

O colunista da Folha de São Paulo Jairo Marques prova que ainda é possível ingressar em veículo de comunicação e se firmar na profissão em empresa privada, driblando as barreiras na rotina de trabalho. “As pessoas ainda não vêm o profissional e acabam colocando a deficiência à frente, aí tenho que me impor e manter a postura diante do entrevistado sobre fatos que vou cobrir. Ainda acontece de chegar e perguntarem: onde está o jornalista?”, conclui Marques que é tetraplégico e cadeirante.

Confira a entrevista de Marques concedida ao repórter cego Renato D’Avila:

nclusão e capacitação profissional

Perder a visão não é passar por um processo de luto eterno, mas sim um recomeço das atividades da pessoa com deficiência, o que inclui aprimorar técnicas como o uso da bengala, despertar outros sentidos e no meu caso, me preparar para trabalhos técnicos na Divisão de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação (DIEESP/SEED). Para isso, viajamos e enchemos a bagagem de novos conhecimentos técnicos. Essas novidades iremos apresentar no blog “Com Novo Olhar”. Vamos juntos conhecer mais sobre esta semana de trabalho no Rio de Janeiro (RJ), também conhecida como cidade maravilhosa?

“Pai, mãe vou fazer minha primeira viagem de trabalho”, foi dessa forma que comuniquei a viagem aos meus pais. Novidade não foi, já que desde 2017 enfrentei vários desafios embarcando sozinho para viagens pelo Brasil. Conhecer pessoas especiais que marcaram esta trajetória em uma busca intensa “Com Novo Olhar”. Desta vez viajei acompanhado, tive a companhia da equipe de trabalho do Núcleo de Deficiência Visual da SEED/DIEESP), José Wellington Santos e Anatércia Silva Santos.

Semana intensa de trabalho e aprendizado no curso de Orientação e Mobilidade no Ambiente Escolar, a Casa da Inclusão foi nosso abrigo e a sala de aula do Instituto Benjamin Constant (IBC) ponto de encontro para conhecer a realidade da estimulação entre alunos e profissionais da educação inclusiva nas demais cidades brasileiras.

Colegas de curso, laços de amizades criados e encontros futuros já marcados fizeram parte do aprendizado. Três colegas com deficiência visual a oportunidade em ensinar e aprender conosco, como aconteceu na experiência sensorial em que nossas colegas de Minas Gerais nos guiaram, tiraram fotos e vídeos em que José Wellington Santos deixou sua marca e levou para mostrar a filha, Raquel de dez anos que ligava ansiosa a todo momento.

– Aprendi muito, mas muito mesmo, mais do que se eu ficasse apenas olhando vocês. O passeio do museu foi ótimo, conversar com vocês mais ainda. Adquiri um livro seu e estou amando a leitura, fico muito feliz e agradecida por ter apresentado o livro Historias de Baixa Visão, em que levo para minha cidade – ressaltou Keila Marques, professora de Minas Gerais.

Mas além de vídeos, conteúdo em sala de aula os colegas passaram por algumas vivências, como ter os olhos vendados, dessa forma, aprenderam na prática técnicas que os deficientes visuais já vivenciam diariamente e outras que complementam o repertório de conhecimentos pra ganhar o mundo, sair nas ruas, conquistar a tão sonhada autonomia driblando barreiras em ambientes internos e externos.

Foram horas de verdadeira integração. Os colegas ajudavam na hora do almoço, faziam questão de ter nossa companhia nas atividades e tanto o sergipano José Wellington Santos quanto a curitibana Neiva Dias ensinavam e aprendiam conosco, demonstrávamos as diferenças e os desafios. Um bom exemplo de desafio foi o que viveu José Wellington, pessoa cega que foi sozinho até à casa de parentes na Baixada Fluminense (RJ), fato que deixou todos espantados, mas orgulhosos de sua bravura.

Gratificante mesmo foi plantar cada sementinha de inclusão na vida destes profissionais da educação, ouvir histórias, participar das atividades, aprender com as aulas da professora Valéria Augem, supervisora e professora do IBC.

https://www.youtube.com/watch?v=OkzbUpjLaEM

Recomeçar na vida encarando desafios “Com Novo Olhar”

Olá, vamos retomar nossos passos em “Com Novo Olhar“? Em nossa busca constante por diferentes pontos de vista sobre a rotina das pessoas com alguma limitação física, visual, auditiva, intelectual ou de qualquer natureza. E para tal precisamos voltar no tempo e seguir por dias melhores na rotina de cidadão comum.

Puxando pelas memórias de nossos encontros, lá no começo de nossas postagens falava de mim e que hoje não há tempo perdido quando o sentido é sair de casa rumo à retomada de uma luz que me proporciona ver a vida com novo sentido, o que chamo de “Com Novo Olhar“. Eis que chega o tempo de trocar os programas de ampliação de tela e engatinhar por novas tecnologias e aparelhos para sobreviver.

Assim aconteceu comigo que fui acometido por retinose pigmentar, má formação na mácula que deixa alguns flashs de escuridão na pouca luz que entra pelos olhos.

É tempo de si reinventar, pois é dificil ouvir dos médicos “não tem jeito, ainda não tem solução, a forma é aceitar e buscar si adaptar”. Desta forma iniciei treinamento com softweres disponibilizados através da internet e na constante pesquisa por novas ferramentas tenho visto que todo dia si vence um obstáculo quando retomamos as nossas atividades, fazendo das dificuldades uma espécie de motivação para a construção de nossos caminhos.

É fundamental o apoio da família, dos amigos e sobre tudo dos colegas. Neste sentido me sinto preparado para dar continuidade a nossa busca constante, através da comunicação jornalística por demonstrar as dificuldades, desafios e iniciativas que contribuem com a vida de pessoas que têm alguma limitação, igual a mim que sou deficiente visual.

Até o nosso próximo encontro e convido você para acompanhar os novos trilhos de “Com Novo Olhar“, contribuindo com o dia-a-dia destas pessoas, seja nas ruas, na acessibilidade dos espaços públicos ou no acesso à direitos e deveres destas pessoas, que pouco a pouco estão saindo da ociosidade e ganhando espaço nos diversos setores da sociedade.

Encaminhe sugestões ou participe ativamente de nossos encontros através do e-mail: comnovoolhar@gmail.com

Consulta de psicólogo revela desafios da profissão e determinação de Nelson

É bem verdade que leis existem para a inclusão no mercado de trabalho, mas como conseguir acesso uma pessoa com deficiência? “Com Novo Olhar” nos leva hoje a conhecer a história de vida do psicólogo José Nelson Braga da Silva, 44 anos que venceu as barreiras impostas pela tetraplegia e atende todos os públicos em seu consultório.

Carioca, com formação militar, Nélson teve a vida marcada por um mergulho aos 21 anos, quando passava férias em Minas Gerais, após bater a cabeça ao saltar em uma cachoeira e ter três vértebras quebradas. Diante de uma realidade onde se viu de repente com pernas e braços sem movimentos. Elegeu morar em Aracaju, onde fez curso de Designer e Técnico em Informática, mas foi em 2012 que se formou em Psicologia e resolveu dar um novo rumo na sua carreira trabalhando como autônomo.

Nelson foi em busca da sua sobrevivência e montou consultório na própria residência, onde trabalha às segundas e terças-feiras. O incrível é que os pacientes que o procuram, encontram um especialista que esquece as suas dificuldades e os ajuda sempre a enfrentar seus problemas com uma forma de encorajar outras pessoas com ou sem deficiência.

– Por várias vezes tentei encontrar um trabalho em algumas empresas, mas estas nem sequer me chamavam para dar um retorno, apenas me ignoravam e isso me deixava angustiado. Sempre gostei de rádio amador e me comunicava com caminhoneiros e outras pessoas em todo o país, sendo este meu hobby. Deixei meu hobby para me dedicar a psicologia e tentar esquecer que aos 44 anos minha carteira de trabalho nunca tinha sido assinada, explicou emocionado Nélson.

Nelson nutre consigo a esperança nas células tronco para um dia voltar a andar, mas ainda assim, leva a vida com autonomia e executa inúmeras tarefas com o seu tablet, onde utiliza sistema de reconhecimento de voz que permite emitir laudos e ter acesso ao mundo digital.

– Sempre passo para meus pacientes que devemos amar à Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Estes são os grandes segredos para construirmos um mundo melhor – explica o psicólogo em entrevista para “Com Novo olhar”.