Encontro dos Sonhos!

A primeira viagem sozinho e as experiências de um encontro com novo olhar

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Aniversário de 29 anos de idade e o presente foi sentir grandes emoções nunca vivenciadas antes em minha vida. Encarar a primeira viagem sozinho é momento que compartilho com vocês neste encontro “Com Novo Olhar”, desbravando aventuras de esporte radical e participando do encontro geral de pessoas com deficiência.

Arrumar a mala, sair de casa deixando a família preocupada, afinal foram pegos de surpresa com o comunicado da minha viagem sem eles, dias antes. – Vou viajar sozinho. Informei a todos que pareciam não acreditar na minha fala. Alguém indagou lá do quarto: -Para onde? – São Paulo! Respondi repleto de felicidade. –Vou para o encontro de pessoas com deficiência e só retorno após três dias, informei para espanto geral.

Já no aeroporto, iniciou aquela “frio na barriga”, pois alguns pensamentos negativistas pairaram sobre mim, mas eu não deixei que eles me dominassem e procurei pensar positivo e assim tudo entrou no controle, até o momento do embarque quando fui conduzido pelo funcionário da empresa. A viagem transcorreu sem problemas, fui bem conduzido e não me senti sozinho por instante algum. Parecia meu primeiro voo literalmente.

Em São Paulo, fui recebido pela equipe do congresso e com ajuda dos colaboradores do evento, intérpretes, audiodescritores e organizadores, com todo suporte básico necessário para acolher a todos os presentes, cada um com suas necessidades especiais diferenciadas, seguimos rumo ao destino final, a cidade de Socorro- SP, desta vez em ônibus confortável e repleto de participantes, cada um com sua expectativa de como seriam aqueles três dias.

Após algumas horas de viagem relaxante, onde dormi bastante, chegamos ao hotel chamado: “Parque dos Sonhos”.  Para minha grande surpresa, o nome do hotel fazia jus ao que realmente presenciei ali. Acessibilidade para qualquer tipo de deficiência, um hotel realmente comprometido com a inclusão. Lá todos podiam participar dos programas de lazer e entreterimento do hotel, pois tudo foi planejado visando atender às necessidades das pessoas e suas deficiências diversas.

Rampas nos corredores das instalações, piso tátil para cegos e baixa visão com sinalização de acordo com normas técnicas e padronizado em todo hotel, equipe humanizada sempre pronta a nos guiar, lazer de várias formas, esportes radicais com toda segurança para pessoas com deficiência, tirolesa, cavalgada, trilha e piscina com direito a equipamentos acessíveis, enfim, tudo que uma pessoa com deficiência precisa para se sentir fazendo parte da sociedade e exercer seus direitos de cidadão. Presenciei a emoção de cadeirantes, de pessoas com deficiência auditiva, visual, intelectual; ou seja, um lugar para todos sem barreiras.

               No primeiro dia, conheci meus companheiros de quarto: Valdir e Tarcísio, ambos com deficiência física que me emprestaram seus olhos no auxílio de algumas tarefas, a quem eu agradeço muito os três dias de convívio. Eles são militantes das causas das pessoas com deficiência, apresentaram nos debates, seus pontos de vista sobre as mais variadas causas. Foram muitos os pontos de discussões vivenciados ali no Parque dos Sonhos, onde lágrimas e sorrisos fizeram parte de momentos incríveis de grande crescimento pessoal e momentos que ficarão marcados em minha vida.

Nos momentos reservados para o lazer, não perdi tempo, contrariando as recomendações da família que me pediram para não fazer nada que fosse arriscado, me senti livre para realizar atividades nunca antes realizadas por mim. Voar na tirolesa encarando uma altura de 140m, passar por 12 percursos há oito metros do chão com obstáculos para equilibrar em cordas, cavalgar conduzindo o animal com orientação do instrutor, entre outras emoções, não poderia me sentir mais realizado que isso.

As portas que nos levam aos caminhos da cidadania se abrem quando nos somamos por uma luta que envolve todas as pessoas e suas deficiências. Precisamos eliminar barreiras que nos impedem de seguir na vida, seja no que se refere à inclusão na escola, no trabalho, ou no convívio social. O que vivi aqui em três dias, poderia muito bem deixar de ser no hotel dos sonhos, para ser uma realidade em todos os hotéis do mundo. Assim, ser diferente seria apenas uma questão de genética.

Agora em minha casa é lei, participar dos eventos e embarcar em viagens para desbravar novos caminhos junto aos amigos que fiz, será mais frequente. Preciso conquistar e contribuir com a força coletiva de cadeirantes, surdos, cegos, pessoas com deficiência intelectual que demonstram suas potencialidades sem preconceitos e de forma simples. Novos encontros virão e com certeza contribuirão para fazer o diferencial na vida da dessa população de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência em nosso país.

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